Geração cadeia

Os presídios estão lotados de jovens. E o tráfico de drogas é a principal peça dessa engrenagem que tem destruído cada vez mais vidas no Vale do Paraíba. Dados da Secretaria de Administração Penitenciária revelam que 63% dos  detentos nas unidades prisionais da região têm menos de 29 anos.  São 6.124 jovens encarcerados em penitenciárias e Centros de Detenção Provisória.

O ingresso do jovem no tráfico se deve a diversas causas, mas as principais seriam a desigualdade social e falta de perspectiva de futuro. Sem oportunidades, eles veem no tráfico uma fonte de renda. No Vale, as unidades mais “jovens” são a P-1 de Tremembé e os CDPs de São José e Taubaté, com respectivamente 77,46%, 75,38% e 67,35% da população com idade inferior a 29 anos.

E são justamente os três presídios mais lotados do Vale. Juntos, têm capacidade para 1.818 detentos, mas acolhem 3.804. Muitos especialistas consideram a prisão o lugar inadequado para a recuperação de jovens. Defendem penas alternativas e de restrição de liberdade, combinadas com tratamento de saúde, psicológico e educacional, para prepará-los ao convívio social, evitando a recaída na criminalidade.

Na edição deste mês, a revista valeparaibano traz uma série de relatos de jovens em unidades prisionais da região. São garotos e meninas que experimentam a dura realidade de viver cercado por quatro paredes em um ambiente marcado pelo ódio e angústia, numa “panela de pressão prestes a explodir”. É a geração cadeia.

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