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A Saúde de toga

Gastos com a saúde, em geral, são astronômicos. Muitos sabem o quanto pode ficar dispendiosa uma ida à farmácia com um receituário médico. E quando é indicada uma cirurgia ou um exame complexo? Torcemos para que o plano de saúde cubra todas as despesas ou que o procedimento seja oferecido pela rede pública. Mas o que fazer quando não se tem o dinheiro para comprar os remédios e o SUS (Sistema Único de Saúde) não fornece o medicamento ou o serviço médico?

Existe uma saída: ingressar com ação na Justiça para receber do poder público o remédio de alto custo ou procedimento clínico. Mas a chamada judicialização da saúde, um recurso usado para que o paciente tenha garantido o direito previsto pela Constituição Federal, aumenta a cada ano, comprometendo parte do orçamento público. Em 2011, por exemplo, somente o Estado gastou R$ 800 milhões com as ações judiciais, o equivalente à construção de 13 hospitais de 200 leitos cada.

No Vale do Paraíba, no mesmo período, foram ajuizadas 600 ações contra o governo estadual, um recorde histórico que custou milhões de reais aos cofres públicos. Contra a Prefeitura de São José dos Campos foram 79 processos, que custaram quase R$ 900 mil à administração municipal. Há casos em que apenas uma dose de remédio, de tão caro que é, seria suficiente para atender diversos pacientes. Neste caso, o que deve prevalecer: o interesse individual ou o interesse coletivo?

Nem um, nem outro. Não há argumento que se sobreponha ao direito à vida. A judicialização da saúde só ocorre porque o poder público se mostra falho ou insatisfatório. No Brasil, a família já arca com a maior parte da conta da saúde: o brasileiro custeia 56,3% dos gastos com médicos, remédios e exames –29,5% a mais que o governo. Em países desenvolvidos, como o Japão, o Canadá e as nações da comunidade europeia, os governos assumem 70% da conta da saúde. Se a máquina pública fosse mais enxuta e menos corrupta no Brasil, haveria mais verba e a vida do brasileiro não estaria nas mãos de uma “estátua cega”.

 


Defesa de Bruno admite: Eliza está morta

A defesa do goleiro Bruno adotou uma nova estratégia. Vai admitir à Justiça que Eliza Samudio está morta e que o mandante do crime foi Macarrão, o amigo e espécie de guarda-costas do ex-jogador do Flamengo. A admissão será feita durante o julgamento do goleiro. Rui Caldas Pimenta, advogado de Bruno, disse, em entrevista à imprensa, que decidiu abandonar a tese de que Eliza estaria viva e vai sustentar que Macarrão agiu à revelia do goleiro, preso desde julho de 2010, acusado pelo desaparecimento de sua ex-amante.

Eliza pedia na Justiça que o jogador reconhecesse a paternidade de Bruninho. Além do ex-jogador, há outros oito envolvidos no desaparecimento e morte da jovem, cujo corpo nunca foi encontrado. Bruno, Macarrão e o primo Sérgio estão presos e vão a júri popular por sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, também está preso e vai responder por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. A ex-mulher do jogador Dayanne Souza, a ex-namorada Fernanda Gomes de Castro, e Wemerson Marque de Souza, o Coxinha, aguardam o julgamento em liberdade. O motorista Flávio Caetano de Araújo foi o único dos envolvidos a não ser pronunciado.


O mercado da prostituição

Um negócio mantido com mãos de ferro. Assim funciona a rede de prostituição montada na praça Afonso Pena, no coração de São José dos Campos, onde garotas de programa trabalham sob o jugo de uma cafetina que mantém com pulso firme a exploração sexual no centro da cidade. Esse mercado do sexo, revelado com exclusividade pela revista valeparaibano, ocorre às claras, 24 horas por dia, e conta com a participação de comerciantes e agentes públicos que receberiam dinheiro para não interferir ou minar o esquema articulado pela rufiona, conhecida como Patrícia.

A rede de prostituição é tão bem estruturada que a cafetina se enriquece a cada dia –ganha dinheiro de todos os lados: com a cobrança de um pedágio semanal das prostitutas e até comissão de hoteleiros sobre o valor do aluguel do quarto usado para o programa. Para se livrar da intervenção de traficantes e bandidos poderosos que atuam no centro, a cafetina alicia garotas de cidades distantes de São José e até de outros estados. Com isso, evita que criminosos interfiram em seu negócio, se perpetuando no controle absoluto do esquema.

A exploração sexual na Afonso Pena há quatro anos já foi alvo de investigação do 1º Distrito Policial, que fica em frente à praça. Entretanto, a Polícia Civil nunca conseguiu chegar ao paradeiro de Patrícia. Já a Polícia Militar informou que não tem conhecimento das denúncias de rufianismo.

A atuação de prostitutas na praça não é novidade para o joseense. A prática se arrasta por décadas. A questão é que não se imaginava a existência de uma rede criminosa tão estruturada nos bastidores do trabalho dessas garotas de programa.  Mas é difícil entender como as polícias não conseguem desarticular a exploração sexual na Afonso Pena, considerando que, em apenas um mês, a equipe de reportagem da valeparaibano conseguiu reunir informações detalhadas de como funciona todo o esquema montado pela cafetina.

 


E agora, cadê o meu carro?

A revista valeparaibano traz um levantamento inédito sobre roubos e furtos de carros em São José dos Campos. Passamos quase um mês compilando as ocorrências para traçar um mapa da criminalidade, com os modelos de veículos mais visados pelos bandidos e os bairros e horários com maior incidência desses crimes na cidade.
Foram contabilizadas 1.459 ocorrências no primeiro semestre deste ano –em média, oito veículos subtraídos por dia. Em comparação com o mesmo período de 2010, houve um aumento de 11%. Mas a discussão sobre a questão deve ir além a do prejuízo financeiro, deve avançar na análise se aumentou ou não o número de casos.
Há vítimas que desenvolvem traumas decorrentes da violência e se vêem obrigadas a mudar a rotina e o estilo de vida. O delito desencadeia outros crimes num efeito cascata, desde o uso do veículo para outra ação criminosa até na morte do proprietário do carro que reage ao roubo. E, talvez o pior, só aumenta o medo social e alimenta a incômoda sensação de impunidade.
O que é preciso para reduzir essa prática criminosa? Como conter a ação dos bandidos? Um policiamento mais ostensivo nas ruas contribuiria para diminuir os crimes, mas vale também apertar o cerco contra os desmanches ilegais, para onde segue a maioria dos veículos roubados para abastecer o mercado paralelo com peças.
A Polícia Militar cobra da população os registros dos boletins de ocorrências, que depois são usados para planejar estratégias de combate, direcionando o policiamento às áreas de maior incidência de casos. Mas, por outro lado, não divulga os dados à sociedade. Já os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado são menores que os contabilizados no levantamento. Falta transparência, e no meio de tudo isso fica o cidadão indefeso, que paga um preço cada vez mais caro.


Eleições: Lula busca apoio de Chalita

 

Padrinho da pré-candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo pelo PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou ontem uma operação em busca do apoio do indicado do PMDB, Gabriel Chalita.

Lula convocou o deputado para uma reunião de quase duas horas e voltou a defender a união dos partidos governistas contra a hegemonia do PSDB no Estado. Chalita foi à reunião acompanhado da filha de Lula, Lurian Cordeiro da Silva, que ele empregou como sua assessora parlamentar.

Para o PT, Haddad e Chalita têm perfis parecidos e disputariam o mesmo eleitorado. Ambos são jovens, nunca concorreram a um cargo majoritário e atuam na área de educação.

Nascido em Cachoeira Paulista, Chalita foi um dos recordistas de votos no pleito deste ano, ficando em terceiro lugar na disputa por votos a Câmara Federal, com 560.022 adesões nas urnas.

Ontem, após o encontro com o ex-presidente, Chalita negou os rumores de que Lula acenaria com um cargo no governo Dilma Rousseff ou com a vaga de vice na chapa do PT em troca de sua desistência, e garantiu que o PMDB terá candidato próprio.


PF faz devassa no Ministério do Turismo e prende 38

A Polícia Federal prendeu hoje 38 suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção no Ministério do Turismo, entre eles, o secretário-executivo da pasta, Frederico Silva da Costa. Também foram detidos o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, que é ex-deputado federal pelo PMDB, o ex-presidente da Embratur, Mário Moysés, empresários, diretores e funcionários do Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável).

A Operação Voucher foi deflagrada com o objetivo de combater um esquema de desvio de recursos públicos destinados ao Ministério do Turismo por meio de emendas parlamentares ao Orçamento da União. As prisões ocorreram em Brasília, São Paulo e no Amapá. Foram expedidos 19 mandados de prisão preventiva e 19 de prisão temporária, além de sete mandados de busca e apreensão. Cerca de 200 agentes participaram da ação.

Segundo a PF, entre as irregularidades estão a falta de condições técnico-operacionais para a execução do convênio, não-realização de cotações prévias de preço de mercado por intermédio do portal de convênios do governo federal, direcionamento das contratações para as empresas pertencentes ao esquema de corrupção, pagamento antecipado de serviços, fraudes na documentação e não-fiscalização do convênio.


Pequenas mentiras, grandes estragos

 

A Copa do Mundo, o mais importante torneio de futebol do planeta, promete vasta oportunidade de negócios às cidades que receberem uma das 32 seleções que disputarão o mundial. E São José dos Campos, Guaratinguetá, Caraguatatuba e Campos do Jordão compõem o grupo de 145 municípios brasileiros selecionados pelo Comitê Organizador para concorrer a chance de hospedar uma equipe estrangeira.

Mas para se tornar um Centro de Treinamento é preciso gerenciar prazos, alavancar investimentos e viabilizar infraestrutura atrativa aos times. Nesse sentido, a estrutura esportiva divulgada pela Prefeitura de São José  é duvidosa: as informações sobre os CTs oferecidos não condizem com a realidade. E “pequenas” mentiras podem causar grandes estragos. 

É questionável relacionar no guia, que será usado pelas delegações estrangeiras para escolherem onde vão se preparar para o mundial, que o Martins Pereira dispõe de heliponto, auditório ou sala de mídia, quando é sabido que o estádio se esforça até para atender a rotina do clube.

A situação se agrava quando o governo municipal, responsável por encaminhar essas informações ao Coesp (Comitê Executivo de São Paulo para a Copa), não tem projeto e nem a previsão de investimento para equipar o estádio com essas benfeitorias. Pior: e quando essa situação se estende ao projeto de um clube particular? O Primeira Camisa começa a construir seu CT na cidade. O projeto também consta no guia, mas a estrutura prevista não inclui heliponto, sauna, pista de cooper, business center e outros itens especificados pela prefeitura.

Os representantes das delegações conhecerão os CTs dos municípios após as eliminatórias, no final de 2013, ou seja, seis meses antes do início da Copa. Somente após esse período São José, se alçada ao título de “cidade-base”, começará a tocar os projetos das melhorias nos CTs que prometeu. Fica a pergunta: por que no Brasil insistimos em fazer tudo ao contrário do que manda a boa norma?