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Pediatras se unem e lançam campanha contra a violência infantil

Às vésperas do Dia das Crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria lança a campanha “Violência é Covardia – crescer sem violência é direito fundamental das crianças e adolescentes”. O problema, subnotificado e sem dados nacionais confiáveis, é a principal causa de morte de crianças a partir dos cinco anos de idade. Cerca de 70% dos casos ocorrem dentro das casas, considerados ambientes sagrados.

A ideia da campanha é mostrar que é possível educar sem violência. Crescer em um ambiente violento e sofrendo maus tratos pode trazer consequências ao desenvolvimento e aprendizado das crianças, que são incapazes de se defender. Além disso, quem sofre violência pode apresentar maior índice de depressão, comportamento violento, tentativa de suicídio e distúrbios do sono. Entre os mais vulneráveis, estão crianças que têm pais desempregados, alcoólatras e dependentes de drogas ilícitas. Aquelas com deficiências mentais ou físicas também são mais suscetíveis a sofrer agressões.

Os sinais podem ser invisíveis para quem não está atento. Podem vir com queixas de falta de apetite, tristeza, problemas para dormir. Quando os sinais são aparentes, as crianças apresentam hematomas, histórico de ossos quebrados, queimaduras, fraturas de crânio, entre outros sintomas. A campanha tenta trazer para a agenda do pediatra um olhar perceptivo e atento para os casos. Infelizmente, ainda é comum que um menino violentado passe por médicos e enfermeiros sem que a causa de determinada queixa seja identificada.

Somente em São José dos Campos, são registrados por dia, de 6 a 8 denúncias de violência sexual contra crianças –um número tão assustador quanto o número de acusados que continua nas ruas devido à dificuldade de provar o crime. É compreensível a dificuldade que as polícias, Promotoria e Justiça têm em prender o suspeito, ainda mais quando a agressão não deixa rastros, uma prova que tire o criminoso do convívio da sociedade, seja preso ou em uma clínica de tratamento.

Então o que nos resta? Resta a coragem de denunciar e colocar atrás das grades uma pessoa que precisa de ajuda médica, uma pessoa doente, que age sem controle. Pior: uma pessoa que pode ser pai, marido, filho ou um amigo, já que a maioria dos casos ocorre dentro da casa das vítimas. Difícil é acreditar que um crime tão horroroso consiga perdurar por meses ou até anos sem que ninguém que viva sob o mesmo teto, ao menos, desconfie ou não perceba uma mudança de comportamento na criança.

O Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes criou em 2006 o Disk 100. Desde então, 80% dos municípios brasileiros denunciam violências contra crianças e adolescentes. A cada dia, 77 casos são registrados. A ligação é gratuita e o denunciante não precisa se identificar. Vamos fazer a nossa parte?

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Dia do enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes

Hoje, 18 de maio, marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi escolhida como símbolo da luta pelos direitos de crianças e adolescentes, em lembrança ao sequestro da menina Araceli Cabrera Sanches, estuprada e morta aos 8 anos de idade, em 18 de maio de 1973, em Vitória (ES). O corpo foi achado seis dias depois, desfigurado e com sinais de abuso sexual. Os responsáveis pelo crime não foram responsabilizados.

Em quase oito anos de funcionamento, o Disque 100 recebeu mais de 66 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil até março de 2011 –o equivalente a 23 relatos diários. Os dados, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, foram divulgados pelo Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. A maioria das vítimas é do sexo feminino.

A violência contra crianças e adolescentes se expressa de diferentes formas, sendo que a sexual se configura como uma das mais graves manifestações. Representa risco de morte nos casos mais severos. O enfrentamento a esse mal social exige esforços e ações articuladas entre poder público e sociedade civil organizada para a formação de redes eficientes, que atuem na prevenção, proteção imediata e interrupção da violência vivida.

Em 2010 houve o registro de 12,5 mil casos de violência sexual infanto-juvenil. Somente no primeiro trimestre de 2011, já foram mais de 4.000 casos. Entre janeiro e fevereiro, os dados mostram que 78% das vítimas são do sexo feminino. Se comparados com outros tipos de violência, como negligência e violência física e psicológica, os números praticamente são equivalentes entre os sexos masculino e feminino.

Na região a situação não é diferente. Somente em São José dos Campos, a Delegacia de Defesa da Mulher registra, por dia, de 6 a 8 denúncias do tipo –um número assustador, tão assustador quanto o número de acusados que continua nas ruas devido à dificuldade de provar o crime. Mas precisamos de  coragem para denunciar e colocar atrás das grades uma pessoa que precisa de ajuda médica, doente, que age sem controle. Pior: uma pessoa que pode ser o seu pai, seu marido, seu filho ou um amigo, já que a maioria dos casos ocorre dentro da casa das vítimas.

O Disque 100 é um serviço gratuito e funciona 24 horas por dia. A identidade de quem denuncia a violação de direitos contra crianças e adolescentes é preservada. As denúncias também podem ser feitas pelo portal http://www.disque100.gov.br ou pelo endereço eletrônico disquedenuncia@sedh.gov.br. Vamos fazer a nossa parte?