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Líbia: rebeldes oferecem US$ 1,6 milhão por Gaddafi

O CNT (Conselho Nacional de Transição) anunciou recompensa de US$ 1,6 milhão –cerca de R$ 25 milhões– pela cabeça do ditador líbio Muammar Gaddafi, vivo ou morto. Desde o início dos conflitos na Líbia, há seis meses, o número de pessoas mortas já ultrapassou os 10 mil.

Ainda com paradeiro desconhecido, Gaddafi gravou novo discurso hoje, dessa vez convocando a população a “limpar” Trípoli dos rebeldes, a quem chamou de “ratos e traidores pagos pelos colonizadores”. Estima-se que os rebeldes têm, agora, o controle de 90% da cidade.

Na gravação, divulgada pelo canal sírio Al Rai, o ditador conclama “homens, mulheres, jovens e idosos a lutar contra os rebeldes na capital”. “Caminhei incógnito, sem que as pessoas me vissem, e observei jovens dispostos a defender a cidade”, contou o ditador, sem revelar quando fez o passeio.

Gaddafi, que está há 42 anos no comando da Líbia, é só mais um entre quase 40 ditadores que se impõem no poder ao redor do mundo. Cerca de 2 bilhões de pessoas vivem sob o regime ditatorial em todo planeta –um número assustador.

Mas ao que tudo indica, os povos começaram a se revoltar e não toleram mais o domínio de autocratas. Já foram depostos Zine El Abinine Bem Ali, da Tunísia, e Hosni Mubarak, do Egito. No Iêmen, o povo pede o fim do regime de Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no governo, e na Síria a população quer tirar Bashar Assad do poder.


Líbia: jornalista brasileiro será libertado hoje

O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Omar Abdullah Al Zubaidi, assegurou à Comissão de Direitos Humanos do Senado que o jornalista brasileiro Andrei Netto, 34 anos, do “O Estado de S. Paulo”, será libertado ainda hoje pelo governo líbio.

O jornal perdeu contato há uma semana com Netto, que foi enviado à Líbia para cobrir os conflitos naquele país. Ontem, o “Estado” recebeu indicações de que o jornalista teria sido preso por tropas do governo perto de Zawiya, cidade controlada pelos rebeldes e sob intenso ataque das forças leais ao ditador Muammar Gaddafi.

Segundo o embaixador, Netto, que atua como correspondente do jornal em Paris desde 2006, teria sido detido por não estar com as documentações necessárias para o exercício da profissão na Líbia.

Ghaith Abdul-Ahad, repórter de cidadania iraquiana do jornal britânico “Guardian”, também está desaparecido. O jornalista não faz contato desde domingo. Ele estava com Netto nos arredores de Zawiyah e teria sido detido por autoridades locais.

Na quarta-feira, a BBC informou que uma de suas equipes foi detida pelas forças de segurança da Líbia, agredida e sujeita a uma falsa execução depois  acabou detida a caminho de Zawiya. Os três integrantes da equipe foram acusados de espionagem e suas vidas foram ameaçadas durante 21 horas enquanto eram mantidos por soldados.

 No mês passado, quando surgiu a onda de protestos pela renúncia do ditador Hosni Mubarak, no Egito, a imprensa também virou alvo do governo. Dois jornalistas brasileiros foram presos e obrigados a deixarem o país. Vários repórteres estrangeiros também foram agredidos e insultados nas ruas do Cairo.

 Os ataques geraram críticas. Líderes de vários países acusam o governo do Egito de violar o compromisso internacional em relação ao respeito à liberdade de imprensa. Foram mais de 30 prisões, 26 ataques e oito apreensões de equipamentos de jornalistas durante o período de conflitos no Egito. Como diria os amigos de profissão: ossos do ofício.


“Milhares morrerão”, diz Gaddafi

O ditador líbio, Muammar Gaddafi, que ganhou várias páginas e até as capas das principais revistas nesta semana em todo o mundo, ameaçou hoje que milhares de pessoas morrerão caso os Estados Unidos ou a Otan decidam invadir o país.

Em seu discurso, ele culpou a rede terrorista Al Qaeda pelos protestos na Líbia. “Enfiaremos os nossos dedos nos olhos daqueles que duvidam que a Líbia é governada por qualquer um que não seu povo”, disse Gaddafi, que está há 42 anos à frente do governo.

A ideia de uma intervenção militar na Líbia ganhou força nos últimos dias, diante da resistência de Gaddafi de deixar o poder. Apesar da pressão internacional, ele mandou soldados para a área da fronteira, fazendo aumentar os receios de que a revolta se torne mais sangrenta.

No Iêmen, milhares de manifestantes, pedindo pelo fim do regime de Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no governo, retomaram nesta semana os protestos. “Saia e leve sua corrupção com você”, gritavam. A oposição a Saleh foi galvanizada pelas revoltas no Egito e na Tunísia, que terminaram com a renúncia de seus então ditadores.

Acontece que os povos começaram a se revoltar contra os ditadores. Mas ainda restam cerca de 40 ao redor do mundo, com quase 2 bilhões de pessoas vivendo sob o domínio desses autocratas. Apenas 60% dos países são democracias. Infelizmente.